Contos da Uma Noite Chuvosa II

Um conto erótico de Vhugo
Categoria: Heterossexual
Contém 1555 palavras
Data: 10/07/2016 17:20:38
Última revisão: 15/01/2020 10:17:21

É manhã de sábado e um homem acorda com um rosto de quem nem chegou a dormir, olha a janela de seu quarto, um comodo grande e com poucos móveis como se fosse um espaço planejado para muito mais do que ele possuía ou até precisava. Ele vê chuva.. escuta chuva. Permanecendo deitado fitando a janela, sente como se o mundo gira-se do outro lado daquela janela, enquanto seu quarto permanece inerte no tempo. Ali nada muda, nada passa, tudo permanece.

Enquanto isso do outro lado da cidade uma mulher, de idade consideravelmente inferior à do homem, encara um telefone abrigada da chuva em seu apartamento pequeno com todas as janelas fechadas.

"Eu tenho que levantar, tenho que comer algo, fazer algo, qualquer coisa" ele pensa, mas só olha a janela como quem olha uma tela de televisão. Lá fora, ele pensa, a vida é movimento. Ele permanece deitado, imóvel.

De volta do outro lado da cidade uma mulher segura o telefone nas mãos. Seu olhar está fixo ao aparelho, mas este não é foco de sua atenção. Tem um olhar reflexivo, é olhar que uns chamam de distante. Ela tem olhos negros e arredondados, que aparentam ter passado por muito na vida apesar da pouca idade.

O homem deitado escuta o telefone tocar. Ele reluta em levantar, mas o barulho insistente e estridente do aparelho o faz levantar da cama, caminhar ainda descalço pela cerâmica fria e atender o telefone.

-Alo?

Do outro lado da cidade a mulher finalmente fez sua ligação.

-Sinto a sua falta... me perdoa... em casa... pode vir?... agora... ta bom, tchau.

A mulher desliga o telefone

O homem desliga o telefone

A rua está vazia, poucos carros circulam. A chuva cai intensa e insistente, fazendo com que as gotas se choquem contra o metal do carro (era uma carro antigo, de lataria feita inteira de metal) e contra o vidro do para-brisa. Milhares de gostas formando um som uníssono que acalma e a mente confusa do motorista, vestido em uma camisa surrada e casaco parentado anos de uso, seu rosto é cansado, olhos vermelhos, cabelo bagunçado. Quando finalmente chega ao seu destino não tem dificuldade em achar vaga, desce do carro e vai em direção a uma pequena porta, quase que escondida, entre um loja de colchões e outra de móveis. Cumprimenta alguns vendedores e entra pela porta, já aberta, sobe algumas escadas toca a campainha. É atendido por uma mulher, jovem, pele morena, olhos escuros e furtivos. Ela veste nada mais que uma peça de roupa. Algo como uma camisa aberta, sem botões, verde e transparente, o tecido leve voa com a menor brisa. Poucas palavras são trocadas. A mulher o guia até o quarto, embora ela já saiba o caminho. Enquanto ela anda a sua frente ele observa seu caminhar através do tecido fino e transparente.

Alguns minutos já se passaram e ela agora está de quatro na beirada da cama. O Homem, também nu a segura pela cintura. Ela é de proporções bem menores do que a dele, que enche as mão em seu quadril enquanto a puxa de encontro a sua ereção. A penetração é vagarosa. Ele, então, sai de dentro dela, apoia o pé esquerdo na cama e segura firme o cabelo dela com a mão destra, enquanto a outra mão descaça ainda sobre o quadril. Fica um tempo assim, como que ameaçando a penetração, porém sem palavras. Ele pode ver a lubrificação dela surgir de sua buceta. Nenhuma palavra é dita. Quando finalmente a penetração volta a ocorrer, esta é rápida, como um golpe de misericórdia. Ouvi-se o estalo seco das coxas se encontrando e em seguida o gemido dela, curto e descontrolado, não é o tipo de gemido que se pretende fazer propositadamente e expressa mais do que só prazer, é a total falta de comando representado em som. As estocadas continuam, tão firmes e impiedosas quanto a primeira. Ela geme. Ele geme. As forças das estocas continua aumentando exponencialmente, e continuam e continuam e continuam. O ritmo é intenso, a mão esquerda comprime a nádega dela, a direta puxa o cabelo com força. O rosto dela é de prazer.

Ele subitamente e a joga contra a cama. Ela tenta virar, ficar de frente pra ele, mas ele não a deixa faze-lo. De relance ela ver o seu rosto, enquanto as mãos grandes daquele homem a viram novamente de costas sem nenhum carinho ou cuidado. O medo passa pela mente da garota. A forte combinação de elementos das expressões faciais do homem que agora a dominava diziam muito. Muito mais do que prazer, ali atrás daqueles olhos vermelhos, via-se muito, mas acima de tudo raiva. Apesar do medo que sentiu, o tesão não a deixou protestar. Ela no fundo gostou. O medo possa talvez ter siso confundido com uma leve insegurança, ela tenta se convencer. "Posso não ter visto direito" ela diz a si mesma. Uma forte estocada a faz sair do devaneio. Ele segura cabeça da mulher e a força contra o colchão. A come, intenso e indeferente. Aquilo a exita. Ela o sente cada vez mais fundo dentro dela, comida por trás, sentindo toda a extensão do corpo dele, com os movimentos limitados pelo seu peso. O gozo dela vem com o primeiro tapa, desferido em sua bunda. Ela ouve o estalo, sente a pele quente, goza. Ele continua impassível a ela, quase que a ignorando. continua a comendo na mesma intensidade, a ele, o gozo dela nada mudou. Ele continua a bater na parceira e se sente perder o controle. Lembranças o assolam. A rejeição passada. A indiferença que ele agora demonstrava já avia sido sua algoz outrora. Porém, não desta forma, não expressa em sexo e sim em um relacionamento frio e tratamento distante. Ele se lembra daquela mulher de pele morena e olhos escuros que um dia o rejeitou. Ele sente que está a beira de um colapso, sente que pode chegar a um ponto sem volta. Seu rosto fica vermelho, a raiva o domina em velocidade de galope. O senso de rejeição que um dia sentiu se transforma em desejo de causar reação. Ele quer ser notado por aquela que geme abaixo de seu corpo. Agora os tapas são mais fortes, a penetração mais funda, o cabelo é segurado pela raiz. Ele quer a ouvir gritar, como se o grito dela fosse a prova de sua existência no mundo, como se ele grita-se a todos que ele estava ali. E ela o faz.. Grita, geme e goza. Goza uma, duas, três.. nem sabe ao certo. Impossível saber. Como poderia? Como distinguir um orgasmo do outro? Poderia ser dezenas, poderia ser só um longo orgasmo, ela não saberia dizer. Ele sente que não é o suficiente. Imagina que se penetra-se aquela mulher analmente isso o faria ser além de notado, lembrado. Talvez ela nunca o esquecesse. "Se você é causador de algum nível de trauma, como pode não ser existir?", ele pensa. Tenta lutar, afastar o pensamento. É perigoso demais. E ela geme e geme. Ele abre suas nádegas, olha o anus da garota. Ela só geme. tira a mão do cabelo e e coloca no boca dela que o beija e lambe em uma tentativa desesperada de demostrar algum afeto naquele cenário animalesco. O dedo sai da boca e vai direto em seu ânus, rápido, sem cerimonia alguma. Ela geme e goza, com o dedo de seu dominador no cu, experimentando a sensação que lhe é nova. Ele sente as contrações dela em seu dedo e pênis, percebe o corpo dela desfalecer sob o seu, ela agora não geme mais, não goza mais, só está deitada imóvel e parada. Ele ao perceber que sua parceira se encontra sem capacidade de lhe oferecer qualquer tipo de reação, decide por fim a tudo. Retira o pau de dentro dela e vê o gozo da garota em sua camisinha. Retira e preservativo e começa a se masturbar em cima da já rendida e imóvel morena de corpo pequeno. Ele goza sobre as costas dela e se levanta. Ela está de olhos fechados, mas acordada.

- Seu dinheiro ta na comada.

ele diz ao pé do ouvido dela.

Ele veste suas roupas e coloca duas notas de cem no escrivaninha ao lado da cama e deixa o quarto. Embora o custe caro, ela foi a prostituta mais parecida daquela de pele morena, olhos que já viram de tudo e que reside do outro lado da cidade. Isso está bastando a ele por hora. Ela abre a porta e encara as escadas.

Do outro lado da cidade, a mulher que antes encarava o telefone agora chora na frente de seu atual namorado. Pede desculpas. diz que o ama, que sentiu sua falta.

Agora o homem já desceu todos os degraus. Começa a ouvir a chuva. E pensa naquela que insiste em lhe ignorar. "Será que ele ainda pensa em mim?"

No outro lado da cidade o mulher faz juras de amor a outro.

O homem passa pelos vendedores, todos sabem que tipo de negócios se passam naquele apartamento. Ele encara a chuva forte, os pingos caem com força em sua cabeça, entra no carro e da a partida. Ali, dentro do carro, abrigado e ouvindo a chuva bater a lataria , pensa consigo mesmo "Chove la fora, chove aqui dentro, tudo é chuva".


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Felizes os leitores que podem, de forma gratuita, saborear bons contos como este. Um dia chuvoso, tal como a madrugada insone é o cenário perfeito para as pessoas encararem seus dramas e frustrações. Nada é mais complexo do que o relacionamento humano. Explorou com maestria as agruras dos personagens, ela com outro pensando em se comunicar. E ele descarregando seu inconformismo no sexo pago. De forma animalesca e excitante até. Parabéns, Vitor.

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