Eu me perguntava até quando eu iria suportar tudo aquilo, olhando no espelho, minha aparência não era das melhores, meu ombros estavam para frente, cansados, meus olhos com olheiras cada vez mais escuras evidenciavam as noites mal dormidas, meus fios de cabelo cada vez mais grisalhos exibiam minha idade que já chegava quase aos 50. Ali no meu quarto eu me analisava, depois de fumar outro cigarro, exatamente 30 minutos depois do anterior, eu achava que a minha vida não poderia ficar mais chata e cansativa.
Quem sou eu? Um “senhor” de 46 anos de idade, Fernando meu nome, recentemente saído do armário, recentemente seria cedo demais, exatamente dois anos e meio atrás, e por que eu me sentia assim? Simples, a vida de um homem gay aos 46 anos não é fácil, na verdade a vida de quase todo mundo que é LGBT não é fácil mas, a minha se encontra em estado de certa dificuldade por conta do atual momento em que eu vivo. Enquanto eu me encarava, percebia o total de coisas que haviam acontecido naquele pequeno espaço de tempo, no entanto, eu não me arrependia, eu me sentia mais leve, sem aquele peso que carreguei por esses longos anos.
Mas como mencionei, pouco tempo atrás havia saído armário, era isso o que mais me deixava alegre, agora eu podia finalmente viver como eu queria, apesar disso ainda não ter acontecido da maneira mais feliz possível. Eu sabia no fundo que não teria total apoio das pessoas que eu mais amo e amei nessa vida, quando as contei do meu eu verdadeiro, suas reações foram diferenciadas, espantosas, chocadas por dizer no mínimo, João, meu filho mais velho agiu com raiva e desprezo quanto ao seu próprio pai ser o que era, Luíza, minha filha, disse que estava tudo bem, mas que precisava de um tempo para pensar e Ana, agora ex-esposa, estapeou o meu rosto assim que proferi aquelas palavras que ela tanto evitou ouvir de mim.
Eu sei que não fui tão honesto ao longos desses longos anos com a minha família e todas as pessoas que eu convivi, mas o medo e angústia me perseguiram e enquanto eu não conseguia me libertar, cada vez mais esse sentimento tomava conta de mim. Minha infância e adolescência não foram fáceis, ser gay nos anos 80 era uma árdua tarefa, até mesmo nos dias de hoje ainda não é, então como eu poderia simplesmente abrir a boca e falar para todo mundo que eu curtia um homem? Que no fundo do meu ser eu preferia beijar e transar com um homem ao invés de me casar com uma mulher, ter filhos e ter uma vida tradicional?
Se houvesse a possibilidade de eu crescer em uma família de mente aberta o suficiente para aceitar um filho gay, eu teria contado tudo desde o principio, não estaria vivendo as consequências da minha vida agora. Meu pai era autoritário e era o puro estereótipo de homem machista que mandava na casa, minha mãe era submissa e aceitava tudo, eu filho único deveria dar um bom exemplo a eles e ser exatamente o que eles queriam que eu fosse. Eu sequer tinha beijado ou tocado em uma pessoa do mesmo sexo que eu, não havia essa possibilidade e a ideia de me encontrar e me envolver com alguém escondido me assombrava e me deixava ansioso, eu morria de medo de descobrirem e contassem ao meu pai.
Então, sob muito sigilo eu me escondi, namorei algumas garotas durante a época de colégio, fazia sexo com elas, as beijava e dizia o quanto as amava, mas no fundo não conseguia sentir absolutamente nada por aquelas pobres meninas. Aos 17 conheci minha então ex-esposa, Ana era alegre, simpática, extrovertida e eu sei que ela era a única exceção, a única pessoa que me ouvia e me entendia, beijá-la e transar com ela não era difícil, mesmo que eu não me animasse, durante o processo eu fazia de tudo para que ela se sentisse desejada e amada e assim foi se desenvolvendo nosso relacionamento.
Aquela garota novata no meu bairro foi entrando na minha vida de forma rápida, sua presença na minha casa se tornou comum, meus pais a adoravam cada vez mais e enquanto eu não me casei com ela, eles não me deixaram em paz “essa menina é mulher certa pra você” ou “o que tá esperando logo pra casar com ela?” eram frases tipicamente comuns que eu ouvia. Meio que por essa constante pressão eu me casei com Ana, quando fiz o pedido seu sorriso e seu olhos marejados indicavam o que ela já queria há um tempo, tímido a abracei e beijei seus lábios, naquela noite tivemos o sexo que resultou na gravidez de João, aos 19 anos não esperava me tornar pai, muito menos ter que sustentar duas pessoas e ter aquela grande responsabilidade.
Precisei contar com a ajuda da minha noiva e dos meus pais, sozinho eu não conseguiria cuidar e ser o que provém para aquelas duas pessoas, eu olhava para a minha noiva e não conseguia sentir nada mais que um simples carinho, eu não conseguia acreditar que teria de me unir a ela para ter de criar o nosso filho. Eu era bom em esconder meus sentimentos e a minha verdadeira vontade, com muito esforço eu casei com ela e tivemos João, ela era um ano mais nova que, se mostrava uma ótima mãe e eu tentava a todo custo parecer um bom pai.
Eu sabia que João não seria uma criança difícil, ele era inteligente, sempre procurava ir atrás do que queria, era determinado e corajoso, além de ser muito protetor, especialmente com a irmã que veio dois anos depois dele, eu estava no auge dos meus 21 anos, e ainda fingia amar e curtir uma vida que me era totalmente falsa. Minha família era perfeita, eu os amava, embora não fosse o que eles queriam que eu fosse eu sempre dei a eles quase tudo que eu pude, mesmo não tendo experimentado sequer o beijo de um homem e ter vivido pelo menos 1% da vida que eu realmente queria ter, eu era feliz.
Eu dava o meu melhor como marido e como pai, buscava agradar e dar prazer a minha esposa sempre que podia e procurava parecer um bom marido e pai de família para todos. Talvez aquilo tudo iria passar, eu pensava nessa hipótese sempre que ia dormir, eu olhava minha mulher dormindo do meu lado e imaginava que fosse um cara, um ser musculoso de barba com quem eu dividia aquele quarto, quando meu pau endurecia pensando esse tipo de coisa logo eu respirava fundo e tentava me acalmar. Eu precisava desabafar com alguém, eu necessitava expor todas as minhas frustrações e tristezas para outra pessoa, todo aquele peso me consumia e eu não aguentava mais voltar mais para casa no fim do dia completamente depressivo.
Quando busquei terapia, eu me senti pela primeira vez aliviado e leve comigo mesmo, eu sempre escondia meus verdadeiros desejos, mesmo para aquela mulher sentada à minha frente, sempre atenta com seus óculos bem posicionados a frente do seu rosto, eu citava minha frustração com a minha esposa, minha família, mas nunca dava detalhes de como eu realmente me sentia aos sentimentos por ela. Preciso dizer que não foi necessário eu revelar tudo para que ela logo percebesse minhas reais dores “sei que você quer me dizer algo, e eu entendo que não se sinta confortável em dizer isso agora em voz alta, mas eu quero que você entenda que está tudo bem você se sentir assim e que é totalmente normal, quando se sentir confiante a vontade para falar sobre isso, eu estarei toda a ouvidos”.
Minhas lágrimas caíram e eu desmoronei ali mesmo, aos meus 37 anos eu não aguentava mais ter que esconder aquilo, então com aquelas palavras daquela mulher sábia eu me vi pela primeira vez saindo de uma prisão. Quando contei de todo o sentimento que estava preso dentro de mim, ela me ouviu atentamente e logo em seguida vieram outras palavras de conforto que me fizeram sentir abraçado. Ao longo de toda a terapia eu ia me entendendo mais, no entanto, estava infeliz com o meu casamento, eu não amava Ana e meus desejos internos já explodiam dentro de mim.
Eu só senti o toque masculino aos meus 39 anos, depois de sair completamente esgotado do trabalho eu evitei ir até em casa, meu relacionamento com ela estava cada vez mais desgastado, todas aquelas cobranças que eu ouvia da boca dela me deixavam ansioso “você nem me toca mais” “não me dá mais atenção” “ao longo desses anos você mudou completamente”, tudo isso me causava gatilho, eu não sentia mais prazer nenhum transando com ela, eu me resolvia completamente na punheta vendo pornô gay no meu antigo escritório, eu só sabia de uma coisa, eu não conseguia mais me segurar.
Quando cheguei aquele ambiente diferente, olhei bem ao redor, todos aqueles homens dançando e conversando alegremente me deixavam confuso, era excitante no entanto, ver seus trejeitos, seus modos de agir, seus corpos quando se mexiam. Aquele público variado daquele bar extremamente agitado me fazia bem, era a primeira vez que eu pisava ali, então era um lugar totalmente novo para mim, analisei bem se não conhecia ninguém e assim que chequei que estava seguro me sentei.
Eu era um homem normal, com minha pele branca bronzeada, eu possuía alguns pelos, especialmente nas pernas, braços e peito, eu não era tão malhado mas frequentava academia constantemente, minha altura também me deixava com o físico proporcional, eu era alto como o meu pai, meus 1,80 me deixavam idêntico a ele. Eu me achava atraente, mas nos olhos daqueles outros homens eu me sentia um completo extraterrestre, pra mim todos eles eram melhores do que eu, eu era um completo novato naquele bar e na minha visão aqueles veteranos a qualquer momento iriam começar a rir de mim.
Enquanto eu tomava minha bebida eu pensava, como podia eu um homem de 39 anos, gay enrustido, estar naquele bar cercado de homens bonitos e sequer ter me envolvido com um a vida inteira? Continuei tomando meu drink no bar, eu mexia inquieto o copo, girando ele na minha mão, eu estava de cabeça baixa pensativo, então quando decido levantar para dar uma outra olhada no ambiente meus olhos fitam um rapaz diferente, seus cabelos penteados para frente em um topete davam um charme para ele, sua pele parda com alguns tatuagens no braço exaltavam seus músculos, de longe seus olhos pareciam castanhos, era inegável a beleza daquele jovem.
Seu olhar enigmático continuava me fitando, tentei olhar para os lados, totalmente nervoso, dei alguns goles na minha bebida e fingi responder uma mensagem no celular, depois de alguns minutos guardei de volta, tomei outro gole e voltei a olhá-lo para ver se ele ainda estava ali e para a minha surpresa seu olhar continuava em cima de mim. Meu corpo se estremeceu com aquela repentina atenção, fiquei inquieto e não soube reagir, era a primeira vez que passava por aquilo e estranhamente, eu estava gostando, senti meu coração acelerar quando o vi se aproximando de mim, a cada passo que ele dava meu corpo tremia.
- Oi - ele disse calmamente, sua voz meio grossa se dirigiu a mim como um som macio
- Oi... - eu falei tímido
- Te conheço de algum lugar... você já veio aqui antes? - ele perguntou curioso
- Não... nunca vi aqui, então acho que você se confundiu - eu disse rápido, ainda nervoso
- Ah... - ele fez uma pausa me analisando - jurava que já te conhecia, prazer, Felipe - sua mão brotou no meu campo de visão para cumprimentá-lo
- Prazer, Felipe, me chamo Fernando - apertei sua mão de volta
- Olha só! Felipe e Fernando, até parecemos dupla sertaneja - ele riu divertido
Não soube como reagir aquela frase, então apenas decidi rir junto com ele, mesmo não tendo achado engraçado
- Então... - ele continuou - quantos anos você tem, Fernando?falei tímido - e você?
- 39? Uau! Você tá inteiraço! Quer dizer... foi mal cara! Você continua jovem, 39 ainda tá com tudo em cima
Estranhamente, Felipe tentava se corrigir, eu até entendia ele, a média de idade daquele ambiente ia até os 25 no máximo, eu com 39 ali era considerado idoso. Aquele rapaz era extremamente atraente, seus lábios vermelhos brilhavam enquanto ele falava, seu jeito completamente másculo era excitante e as tatuagens nos braços davam a ele um ar sexy, que depois percebi serem algumas cobras que iam do pulso até o braço depois do cotovelo.
- Obrigado - agradeci o elogio - você também é muito bonito, você não disse sua idade - falei sendo observador
- Quantos anos você me dá? - ele me olhou tentando me seduzir
- Bom... 22? - ri nervoso
- Bom... errou por um ano, tenho 23, mas obrigado por dizer que eu pareço mais novo - ele piscou pra mim - quer continuar conversando ou prefere ficar aqui sozinho?
- Cê pode ficar a vontade - apontei para a cadeira próxima de mim
- Obrigado - ele colocou a bebida dele em cima da mesa - o que um homem de 39 anos gostoso como você faz sozinho aqui nesse bar?
Olhei bem em seus olhos, sem saber o que dizer, respirei fundo e soltei a primeira coisa que veio à mente.
- Só vim espairecer um pouco, cê sabe, trabalho etc, esse tipo de coisa sempre consome a gente - falei coçando a barba
- Sei bem como é, mal comecei a trabalhar também e já me sinto esgotado - ele deu um gole em sua bebida - mas a pergunta que não quer calar, solteiro? - ele me olhou incisivo
- Sim - apenas não pensei, aquela palavra saiu tão rápido da minha boca que me senti estranho, engoli o pigarro na garganta e devolvi a pergunta - e você?
- Totalmente solteiro - ele olhou pra minha boca depois pros meus olhos - o que eu preciso fazer pra ter um beijo seu agora?
Aquelas palavras entraram no meu ouvido de forma rápida, meu coração palpitou tão forte que eu achei que fosse desmaiar, engoli seco e tentei responder, mas não consegui
- Éee - foi o único som que saiu da minha boca
- Vem, me segue - ele levantou da cadeira e me ofereceu a mão - olhei para Felipe e depois para o restante do bar, todos pareciam distraídos e continuavam conversando - anda!
Segurei sua mão enquanto e ele me puxou para fora daquela lugar, eu apenas o seguia para fora em direção ao estacionamento, passávamos pelos carros estacionados, meu coração batia forte que era capaz de eu senti-lo na garganta, minhas pernas queriam falhar e minha pele suava. Quando chegamos perto de um carro vermelho Felipe me empurrou contra ele, sua boca logo cobriu a minha, sua língua tomou conta da minha boca, seus lábios era ágeis e logo dominaram os meus, suas mãos apertavam forte minha cintura me puxando pra junto do corpo dele.
Ele tinha pegada e firmeza em seu toque e cada vez mais eu via rendido naquele beijo, era o meu primeiro com um homem e Felipe fazia um ótimo trabalho, eu mal conseguia respirar e assim que tentava recuperar o fôlego logo ele me beijava de novo, sua língua chupava a minha enquanto sua mão já estava dentro da minha calça apertando forte minha bunda, minhas mãos apertavam forte o cabelo dele, eu estava faminto, aquele rapaz estava me dando o que eu mais queria em toda a minha vida.
Felipe era um pouco mais alto do que eu, ele era também muito cheiroso, eu podia sentir seu cheiro cada vez que ele investia seu corpo no meu, quando ele passou a beijar meu pescoço eu gemi baixo, apertei forte o braço dele, totalmente domado pelo tesão, suas mãos deixaram minha bunda e seus dedos foram em direção ao meu cu, assim que ele tocou ali eu fechei meus olhos e mordi os lábios, ele dedilhava meu cuzinho com fome, sua boca em momento algum deixava o meu pescoço.
A cada vez que ele me tocava eu me sentia mais e mais domado por aquele rapaz, eu conseguia sentir seu pau duro roçando junto com o meu que também explodia de tão duro. Ele colocou dois dedos na minha boca e ordenou que eu chupasse, então comecei a chupar olhando nos olhos enigmáticos de Felipe, após isso, ele retirou seus dedos da minha boca e voltou sua mão pra dentro da minha calça, assim que eles começaram a entrar dentro do meu cu, eu gemi forte e mordi o ombro dele. Era aquilo, estava acontecendo, inesperadamente, aquele rapaz começou e enfiar seus dois dedos dentro de mim, me fazendo sentir pela primeira vez como estar com um homem e como era gostoso ser dominado por um
- Quero te foder, vem, vamos sair daqui - e então ele me puxou pra dentro próprio carro , me beijou novamente e me puxou pro colo dele